Avaliação de risco em normas de sistema de gestão de segurança de alimentos, como fazer?
Você percebeu que a expressão “avalie o risco” aparece algumas vezes na norma Animalcert? Uma avaliação de risco é um processo sistemático utilizado para identificar perigos potenciais, analisar a probabilidade de que esses perigos causem danos e avaliar a gravidade das consequências desses danos. O objetivo principal é tomar decisões informadas para prevenir ou reduzir os riscos a um nível aceitável.
Etapas principais da avaliação de risco: etapa um é a identificação de perigos, quais elementos (biológicos, químicos, físicos, operacionais, etc.) podem causar danos; a etapa 2 é a análise do risco, qual a probabilidade x severidade de o perigo se concretizar; a etapa 3 é a avaliação do risco, com base na análise, o risco é classificado (baixo, médio, alto); a etapa 4 é onde decide-se se ele é aceitável ou se medidas de controle devem ser aplicadas; e enfim a etapa 5 é o Tratamento do risco (quando necessário) e a sua implementação de ações para eliminar, reduzir ou controlar o risco.
Você pode usar como referência a ISO 31000:2018, é uma norma internacional que fornece princípios e diretrizes para a gestão de riscos em qualquer organização, independentemente do tamanho ou setor. Ela não é uma norma certificável, mas sim um guia para implementar um sistema de gestão de riscos eficaz. Ela ajuda organizações a: Tomar decisões mais bem fundamentadas, prevenir ou mitigar perdas, aproveitar oportunidades com mais confiança e fortalecer a governança e a cultura organizacional.
A norma ISO 31000:2018 estabelece os princípios fundamentais que orientam uma gestão de riscos eficaz e integrada. Esses princípios são o alicerce sobre o qual todo o sistema deve ser construído, assegurando que a gestão de riscos agregue valor real à organização. Eles não apenas orientam o processo, mas também garantem que a gestão de riscos esteja alinhada com os objetivos estratégicos e operacionais da organização.
A seguir, os principais princípios descritos pela norma:
Integração – A gestão de riscos deve estar integrada em todos os níveis da organização — do estratégico ao operacional. Não deve ser uma atividade isolada, mas sim parte integrante da cultura, da estrutura de governança e dos processos decisórios da empresa.
Estruturada e Abrangente – Para que seja eficaz, a gestão de riscos precisa ser sistemática, lógica e coerente. Uma abordagem estruturada permite melhores resultados e facilita a comparação, a comunicação e o aperfeiçoamento dos processos de gestão de risco.
Customizada – Cada organização é única. Por isso, a gestão de riscos deve ser personalizada conforme o contexto externo e interno, levando em conta sua estrutura, cultura, ambiente operacional e objetivos específicos.
Inclusiva – A participação ativa das partes interessadas, tanto internas quanto externas, é essencial. Uma gestão de riscos inclusiva melhora a qualidade da informação usada para a tomada de decisão e aumenta a aceitação e o comprometimento com os resultados.
Dinâmica – O ambiente de riscos é mutável. Novas ameaças surgem e oportunidades se transformam. Por isso, a gestão de riscos deve ser adaptável e responsiva a mudanças, permitindo respostas rápidas e eficazes.
Utilização das Melhores Informações Disponíveis – Decisões devem ser baseadas em dados confiáveis, atualizados e relevantes. A gestão de riscos deve considerar informações históricas, tendências, feedbacks e projeções, ao mesmo tempo em que reconhece possíveis limitações e incertezas.
Fator Humano e Cultural – O comportamento humano e os aspectos culturais exercem influência significativa na gestão de riscos. É essencial compreender como as atitudes, percepções e decisões das pessoas impactam a identificação e o tratamento dos riscos.
Melhoria Contínua – A gestão de riscos deve ser constantemente avaliada, revisada e aprimorada. Por meio de ciclos contínuos de monitoramento e aprendizado, é possível elevar a maturidade e a eficácia do sistema.
Os princípios da ISO 31000 oferecem uma base sólida para criar uma cultura organizacional voltada para a prevenção, controle e aproveitamento de riscos. Quando aplicados de forma integrada e consistente, esses princípios não apenas reduzem perdas e incertezas, como também potencializam o desempenho, a inovação e a sustentabilidade das organizações.



